A Pastoral da Comunicação da Paróquia São Francisco de Assis realizou na noite desta segunda-feira (20/07/2015) uma reunião de formação e estudos do Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, tratando especificamente do Capítulo 2 do documento publicado pela CNBB no ano passado, intitulado "Teologia da Comunicação". A reunião ocorreu na sala do vigário-paroquial na Igreja Matriz, depois da missa celebrada pelo pároco Frei Valdo Nogueira. O condutor do estudo foi o agente catequista da Pascom, Pedro Américo de Freitas, que apresentou um resumo bastante objetivo e profundo do capítulo.
O capítulo teológico se desenvolve sobre os subtemas da comunicação como dom e responsabilidade, da Trindade como comunidade comunicadora, de como Deus se comunica por meio do seu Filho, de Jesus Cristo sendo a videira verdadeira que nos irmana, do sopro do Espírito e a novidade da comunicação, da Igreja como mistério de comunhão-comunicação, dos sacramentos e comunicação, da espiritualidade do comunicador, da experiência mística criativa do comunicador, e do aspecto da beleza na comunicação.
O Diretório ensina: "Comunicação é dom de Deus, é relação entre o Criador e suas criaturas. A predileção de Deus pelo ser humano e a missão que lhe confia na criação exigem do homem e da mulher uma resposta livre e uma abertura para o diálogo" (itens 34 e 35).
Afirma ainda: "A vocação de comunicar se expressa por meio do dom da criatividade, do uso da inteligência e da liberdade. Em toda a História da Salvação, Deus revela-se como Pai amoroso. Para São Paulo, o amor é o maior de todos os dons. A comunicação amorosa liga-se intimamente à comunicação misericordiosa. A mensagem da comunicação chega ao coração das pessoas quando estas se percebem acolhidas e amadas (itens 36 a 38).
O documento assim dispõe: "A Trindade é, por sua natureza, comunicadora. Criando, salvando e santificando, o Pai, o Filho e o Espírito Santo redimem os seres humanos e glorificam para sempre a comunicação nas suas dimensões humana e divina. A Trindade é revelada aos pequenos pela encarnação do Filho. Nela, a Igreja torna-se sinal e exemplo de comunicação" (itens 39 e 40).
Enumera ainda: "O homem Jesus é a comunicação por excelência de Deus com todo ser humano. Se Jesus fala, é o próprio Deus quem fala. Cristo recebe tudo do Pai e vive para o Pai, cumprindo a sua obra. Por intermédio do seu Filho, Deus revela seu grande amor pela humanidade e comunica seu plano de salvação para todos. Revelando-nos a perfeição do amor, Jesus põe-se também como perfeito comunicador. Ao revelar o Pai, Jesus comunica o projeto de Deus na sua vida e na vida de todos os seres humanos. Ele cria uma linguagem simples e direta para comunicar o Reino de Deus, falando por meio de parábolas. Ele envolve as pessoas no compromisso de uma ética de valorização da vida e da dignidade humana" (itens 41 a 44).
O DCIB explica ricamente: "O símbolo da videira utilizado por Jesus demonstra a profundidade e a extensão da comunicação na sua relação com os seres humanos e com Deus. A videira, com seus ramos, simboliza a teia de relações entre as pessoas e Deus. Na imagem da videira, as pessoas são os ramos humanos dos sistemas relacionais e comunicativos. Cristo, a videira, é o comunicador maior, que une todas as pessoas a Deus. Nesse sentido, a Igreja é o lugar do encontro, da acolhida, da imersão da pessoa na liturgia, na catequese, na oração, no serviço aos mais necessitados. A caridade amorosa e transformadora da comunicação de Jesus tem um caráter prático e concreto. Jesus cuida e ensina a cuidar de todos" (itens 45 a 48).
Ele explana também: "O Espírito é responsável pela revelação de Deus e, ao mesmo tempo, pelo seu conhecimento e aceitação. Longe d'ele, a comunicação torna-se uma confusão como em Babel. O Espírito Santo realiza a unidade em meio à diversidade das línguas. Na escuta da Palavra e na abertura de um coração em estado de oração, perpetua-se o prodígio de Pentecostes, que permite à Igreja fazer chegar o anúncio do Evangelho a todos".
O texto continua: "A comunhão da Igreja atualiza-se mediante processos que implicam o serviço, o diálogo, o anúncio e o testemunho. Os primeiros cristãos, animados pela força inspiradora da Palavra e do amor fraterno, tornaram-se verdadeiros comunicadores do projeto de Jesus Cristo. A comunhão entre eles estabelecia relações e criava união. Esse modelo de comunicação deve inspirar e levar todas as pessoas a darem as mãos fraternalmente aos grupos sociais e às nações. A comunhão fraterna encontra seu ápice na Eucaristia. Por meio dela, realiza-se a unidade entre Deus e o seu povo" (itens 51 a 54).
Comenta ainda: "A sacramentalidade do mundo encontra sua origem na Criação. A sacramentalidade de Cristo faz com que Ele seja chamado e descrito como o "sacramento" do encontro do homem com Deus. A Igreja é o "sacramento universal de salvação". A celebração dos sacramentos acontece por meio de ritos, símbolos e palavras. A Igreja, sacramento de Jesus Cristo, formada e fortalecida pelos sacramentos, comunica à humanidade a mensagem de Deus. Ser cristão não é um peso, mas um dom. O dom do discipulado é ser comunicador. A primeira modalidade de comunicação da fé continua sendo o testemunho" (itens 55 a 57).
Sobre o silenciamento, o Diretório prega: "Não apenas a palavra, mas também o silêncio é comunicação. No silêncio, a Palavra é gerada, transmitida e comunicada na sua grandeza e totalidade. Diante de situações decisivas de sua missão, Jesus procurava o silêncio e o recolhimento. É na experiência da Palara acolhida no silêncio que o comunicador encontra sua fonte, sua expressão mais profunda e sua mente comunicativa, eficiente e verdadeira." (itens 58 e 59).
O documento prossegue sobre a arte: "O comunicador é um artista da palavra, da imagem, do som, da dança, do teatro, do design, da criação artística em seu sentido maior. A comunicação, portanto, torna-se experiência de graça. Comunicar, rezar e viver integram-se formando um todo tanto no estilo e na elaboração da mensagem, quanto na forma de comunicar. Essa dinâmica de criar e produzir alimenta-se também do encontro com a beleza da Palavra, da arte" (itens 60 e 61).
E concluindo o Capítulo: "A beleza e a comunicação estão profundamente interligadas, elas levam ao divino. São João Paulo II, na Carta aos Artistas, escreve sobre o aspecto sagrado das diversas expressões artísticas e comunicativas. Quem tiver notado em si mesmo essa espécie da centelha divina que é a vocação artística, não deve desperdiçar esse talento, mas colocá-lo a serviço do próximo e de toda a humanidade" (itens 62 e 63).
Participaram do estudo além do condutor os pasconianos Paulo Roberto Araujo Filho, Gisele Cardoso de Araujo, Graça Eugênio e Adeilce Azevedo. Em agosto, numa outra reunião será estudado o capítulo 3 do Diretório, "Comunicação e vivência da fé", a cargo do jovem Donivaldo Diniz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário