quarta-feira, 22 de julho de 2015

Papa Francisco pede que prefeitos adotem visão da periferia ao centro

Em discurso aos prefeitos reunidos em Roma, Papa destacou necessidade de trabalhos que comecem pelas periferias e reiterou cuidado com o meio ambiente.
O Papa Francisco falou a prefeitos de várias cidades do mundo reunidos em Roma para discutir o tráfico humano e as mudanças climáticas. No fim da tarde desta terça-feira, 21/7, ele encerrou o primeiro dia da reunião destacando a necessidade de trabalhos que comecem pelas periferias para que tenham efeitos.
“O trabalho mais sério e mais profundo se faz da periferia até o centro. Se o trabalho não vem das periferias até o centro, não tem efeito”, disse o Papa, lembrando que aí está a responsabilidade dos prefeitos e o motivo pelo qual eles devem participar dos debates promovidos pela Pontifícia Academia das Ciências.
Francisco pôde, mais uma vez, falar ao mundo sobre suas expectativas para que a Comunidade Internacional chegue a um consenso e produza um documento final com propostas concretas ao fim da cúpula sobre o clima, marcada para novembro, em Paris.
“Tenho muita esperança! Todavia, as Nações Unidas precisam se interessar mais fortemente sobre este fenômeno, sobretudo o do tráfico de seres humanos provocado por este fenômeno ambiental, a exploração das pessoas”, esclareceu o Pontífice.
O Papa voltou a confirmar que a encíclica Laudato si não é apenas um documento verde, mas uma “encíclica social”. “Porque dentro do entorno social, da vida social dos homens, não podemos separar o cuidado com o ambiente. Mais ainda, o cuidado do ambiente é uma atitude social, que nos socializa em um sentido ou em outro – cada qual pode colocar o valor que quiser – e, por outro lado, nos faz receber. Gosto da expressão em italiano para o ambiente – creato –, daquilo que nos foi dado como um presente, ou seja, o ambiente”.
Francisco lembrou ainda que o inchaço das grandes cidades é provocado pelas consequências de um modelo de desenvolvimento tecnocrático de exclusão, no qual as pessoas no campo migram aos centro urbanos por não terem mais acesso à terra. Assim, considerou que o crescimento desmesurado das cidades está ligado à maneira como se cuida do ambiente.
“É um fenômeno mundial. As grandes cidades se fazem ainda maiores com também cada vez maiores bolsões de pobreza e miséria onde as pessoas sofrem as consequências das negligências para com o meio ambiente”, concluiu Francisco.
Nesta terça-feira, 21/7, o Papa Francisco encontrou com prefeitos de grandes cidades no Vaticano. “Aqui ao meu lado está o Cardeal-Arcebispo encarregado da Amazônia brasileira. Ele pode dizer o que significa uma desflorestação hoje em dia, na Amazônia, que é o pulmão do mundo”, disse, se direcionando ao o Arcebispo emérito de São Paulo e Presidente da Comissão para a Amazônia da CNBB, Cardeal Cláudio Hummes.
Em entrevista, o cardeal fala que não há tempo para discussões e que chegou a hora de trabalhar seriamente o problema ambiental relacionando-o à questão social dos pobres.
“Creio que ainda está muito cedo para dizer que os prefeitos do mundo leram e entenderam a mensagem da Laudato si, mas certamente os que estavam ali querem se empenhar mais profundamente nesta problemática e também nisso que o Papa colocou muito claro: a questão ambiental tem a ver com a pobreza, com a questão social. E a questão social não é apenas uma questão técnica, mas ética. Creio que essas coisas vão sendo aos poucos entendidas.”
Para Dom Cláudio, há uma busca de engajamento, pois aumentou a consciência de que são fenômenos urgentes. “Não há mais muito tempo para ficar discutindo, para esperar daqui cinco anos um novo encontro. Não. Isso é urgente, tem que se começar, tem que se decidir a começar a trabalhar seriamente com esta preocupação ambiental, ligada à questão social dos pobres. Nesse sentido saí muito otimista de lá. Mas é claro isso leva um certo tempo.”

(Da Redação Canção Nova, com Rádio Vaticano)

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